Urgência do voto distrital

Urgência do voto distrital

Esquinas coloridas com bandeiras partidárias agitadas por pequenos grupos de “voluntários”, enquanto correligionários adesivam veículos ou tentam engajar motoristas em minidebates sobre seus candidatos, estamos na fase critica da campanha eleitoral.  Juntando-se a militância partidária, limpadores de para-brisas, refugiados venezuelanos, pobres genéricos e defensores de causas aleatórias, criando estorvos coletivos, provocando sinfonias de buzinas. O ritual se repete, partidários se desmobilizam com a agilidade de uma guerrilha, substituídos imediatamente pelos novos ocupantes da esquina. Disneylândia democrática, tão passageira quanto as ilusões e fantasias criadas pela narrativa, personagens e filmes de Walt Disney.

Estratégias eleitorais mudam para amplificar a vantagem comparativa dos candidatos a exemplo de serviços prestados, exposição mediática, notoriedade popular, herança política ou tração eleitoral de lideranças locais. Seja qual for a estratégia, a mais comum de todas é mostra-se preocupado em proporcionar o bem estar do povo, alguns através de favores pessoais, enquanto outros por meio de ativismo político. Independente do viés da campanha, a narrativa dos candidatos sempre enfatiza que o povo necessita de auxílio, por meio de assistência direta, defesa de interesses de classe, apoio a manutenção ou melhorias de serviços básicos. Promessas, promessas, promessas…

A figura de vereador do bairro ou do chamado candidato nativo, não existe mais. Embora outrora este tipo de candidatura garantisse sustentabilidade eleitoral, o aumento de competição de candidatos de lideranças com alto poder aquisitivo no mercado político, forçaram políticos de bairro a mobilizar eleitores em outras comunidades. Enfraquecendo os laços de vizinhança entre eleitores e candidatos, aumentando a influência de oligarquias, dando maior representatividade a categorias profissionais e fomentando esquemas transacionais para fidelizar cabos eleitorais.

Coexistem hoje diferentes abordagens, algumas oriundas dos vereadores do bairro, outras transformadas ou criadas de pleito para pleito. Opção de um candidato por determinada estratégia e a adoção de um discurso relevante, está condicionada aos recursos de campanha, a sua trajetória e ao conjunto de apoiadores, sejam eles políticos influentes, familiares, militantes ou cabos eleitorais. Emprestando assim o capital político a ser investido na busca de votos, sem necessidade de formar raízes duradouras na comunidade ou ser vinculado a compromissos de campanha. Democracia de base tornando-se então cada vez menos representativa, à mercê da verticalização do poder municipal dos eleitos com bolsões eleitorais financiados por seus interesses políticos, a reforma eleitoral de 2017 não obstante.

Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

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