A partir de 12 de outubro de 2025, entra em vigor o novo Sistema de Entrada e Saída da União Europeia (EES – Entry/Exit System). A medida afeta todos os viajantes vindos de fora do bloco, inclusive brasileiros em turismo, negócios ou trânsito. O objetivo é modernizar o controle de fronteiras, reforçar a segurança e evitar que visitantes ultrapassem o limite legal de permanência de 90 dias a cada 180 dias no espaço Schengen.
O que muda
O EES substituirá o antigo carimbo manual no passaporte por um registro eletrônico com dados biométricos — impressões digitais e foto facial — de todos os viajantes não pertencentes à União Europeia. A cada entrada ou saída do território Schengen, essas informações serão automaticamente atualizadas.
O sistema abrangerá 29 países, incluindo França, Espanha, Portugal, Itália, Alemanha, Holanda, Bélgica, Suíça, Noruega e Islândia. Irlanda e Chipre são exceções e manterão controles próprios.
Como será o processo
Na primeira entrada após a implantação do sistema, o passageiro precisará se registrar em totens eletrônicos (kiosks) instalados em aeroportos, portos e fronteiras terrestres. Nesses equipamentos, serão coletadas as digitais, a fotografia e os dados do passaporte. O procedimento levará alguns minutos e, a partir daí, cada nova viagem será mais rápida, pois o sistema reconhecerá o visitante automaticamente.
Os países da UE farão uma implantação gradual do EES para evitar congestionamentos. O plano é que o sistema atinja cobertura total até abril de 2026. Até lá, o passaporte ainda poderá ser carimbado em alguns pontos de entrada.
O que será registrado
- Impressões digitais e foto facial;
- Dados pessoais do passaporte (nome, data de nascimento, número do documento);
- Datas e locais de entrada e saída;
- Informações sobre hospedagem e comprovação de recursos financeiros;
- Eventual recusa de entrada, se ocorrer.
Esses dados permanecerão armazenados por três anos e serão automaticamente renovados se o viajante retornar à Europa nesse período.
Possíveis impactos
As autoridades europeias reconhecem que poderão ocorrer filas e atrasos nas primeiras semanas de operação, especialmente em aeroportos de grande movimento como Lisboa, Paris, Madri e Roma. Os totens de autoatendimento devem, no entanto, agilizar o processo de registro.
ETIAS: a próxima etapa
Após o EES, a União Europeia implementará o ETIAS — um sistema de autorização prévia de viagem, semelhante ao ESTA dos Estados Unidos. A previsão é que entre em vigor no fim de 2026. Os brasileiros precisarão preencher um formulário online e pagar uma taxa antes de viajar.
Recomendações importantes para brasileiros
- Verifique seu passaporte: certifique-se de que ele seja biométrico e tenha validade mínima de seis meses a partir da data de retorno.
- Chegue com antecedência ao aeroporto: com o novo sistema, o processo de imigração pode demorar mais que o habitual, especialmente nas primeiras semanas.
- Guarde comprovantes de hospedagem e recursos financeiros, pois poderão ser solicitados durante o registro.
- Acompanhe os prazos de permanência: use a calculadora oficial da UE para garantir que não ultrapassará os 90 dias no espaço Schengen.
- Evite trocas de passaporte durante a viagem: embora o sistema reconheça novos documentos, isso pode gerar atrasos na atualização dos dados.
- Fique atento ao ETIAS: o sistema de autorização prévia será obrigatório para todos os brasileiros a partir do fim de 2026.
- Planeje-se financeiramente: alguns países poderão cobrar taxas adicionais de processamento durante o período de transição.
Conclusão
Viajar para a Europa continuará sendo uma experiência fascinante, mas exigirá mais planejamento e paciência a partir de outubro de 2025. O novo sistema representa um avanço tecnológico e de segurança, porém trará mudanças práticas significativas para quem está acostumado com o simples carimbo no passaporte.
Prepare-se com antecedência, siga as orientações, e sua viagem ao Velho Continente continuará sendo o que sempre foi: uma jornada de descobertas, história e encantamento — agora, com um toque extra de tecnologia nas fronteiras.
Por Palmarí H. de Lucena