O Tambaú Hotel faz parte da paisagem de João Pessoa há mais de cinco décadas. Inaugurado em 1971, tornou-se um dos principais símbolos da cidade e um marco da arquitetura hoteleira brasileira. Sua localização junto à praia de Tambaú contribuiu para consolidar a área como um dos principais pontos turísticos da capital paraibana.
Por isso, seu fechamento e sua deterioração não são apenas questões relacionadas a um empreendimento privado. O hotel passou por dificuldades empresariais, deixou de funcionar e, desde então, ficou envolvido em disputas e indefinições sobre seu futuro. A falta de manutenção agravou o desgaste provocado pelo tempo e pela maresia.
O problema chama atenção também pelo valor histórico e afetivo do edifício. Para muitas gerações, o Tambaú Hotel é uma referência da cidade, presente na memória de moradores e visitantes. Seu abandono alterou uma paisagem que durante décadas esteve associada ao turismo e à imagem de João Pessoa.
Ao mesmo tempo, a recuperação do hotel precisa considerar as condições ambientais do local. O edifício está situado em uma área costeira sensível, onde intervenções de grande porte exigem estudos e cuidados específicos. Parte da sociedade tem manifestado preocupação com possíveis impactos sobre a faixa de praia, a paisagem e a dinâmica ambiental da região.
Essas preocupações não precisam ser tratadas como oposição à recuperação do empreendimento. Da mesma forma, a importância econômica e turística do hotel não deve servir para afastar as exigências ambientais. O caminho mais adequado é avaliar tecnicamente as condições atuais do imóvel e os impactos de qualquer intervenção antes da definição do projeto.
A localização do hotel exige atenção especial aos efeitos da ação do mar, às condições da estrutura e às regras de ocupação da área costeira. Qualquer projeto de recuperação deve considerar esses fatores e estabelecer medidas de prevenção, manutenção e acompanhamento. Transparência nesse processo também é importante para que a sociedade conheça as decisões e os critérios adotados.
Há ainda uma questão econômica. O fechamento prolongado do hotel reduziu a atividade turística e comercial associada ao empreendimento e ao seu entorno. Sua eventual recuperação poderá gerar empregos, movimentar serviços e reforçar a atividade turística. Mas o desenvolvimento econômico precisa estar associado à conservação da qualidade ambiental e urbana que também sustenta o turismo de João Pessoa.
O futuro do Tambaú Hotel, portanto, não deve ser analisado por um único ponto de vista. Patrimônio histórico, arquitetura, turismo, economia, urbanismo e meio ambiente fazem parte da mesma questão. A recuperação do imóvel pode ser importante para a cidade, mas precisa respeitar as características do local e as exigências atuais.
Também não é necessário imaginar que o hotel deva simplesmente voltar a funcionar como no passado. As condições econômicas, ambientais e turísticas mudaram. É possível preservar os elementos arquitetônicos relevantes e, ao mesmo tempo, adaptar o empreendimento às necessidades atuais.
O que não parece razoável é prolongar indefinidamente a situação de abandono. Quanto mais tempo o imóvel permanece sem uso e manutenção, maiores tendem a ser os custos e as dificuldades de recuperação. A deterioração também aumenta a insegurança sobre o destino de um edifício que ocupa uma posição importante na paisagem da cidade.
O Tambaú Hotel ainda pode ter um novo ciclo. Para isso, será necessário substituir a indefinição por estudos, planejamento, regras claras e acompanhamento público. Recuperar o empreendimento pode ser positivo para João Pessoa, desde que patrimônio, atividade econômica e responsabilidade ambiental sejam considerados conjuntamente.
Depois de tantos anos, o desafio não é apenas reabrir o Tambaú Hotel. É encontrar uma solução adequada para que um patrimônio importante da cidade volte a ter função, sem desconsiderar as condições ambientais e urbanas que hoje precisam orientar qualquer intervenção na orla.
Palmarí H. de Lucena