Sérgio Botelho, o Flâneur da Memória

Sérgio Botelho, o Flâneur da Memória

Nas veredas da lembrança
Vai Sérgio a caminhar,
Pelas ruas de João Pessoa
Que aprendeu a decifrar;
Não pisa apenas o chão —
Pisa o tempo a recordar.

Voltou à terra primeira
Num gesto de reencontro,
Como quem abre um caderno
Guardado no peito, pronto;
E a cidade lhe acenava
Do passado ao horizonte.

Em Memórias da Cidade,
Fez das ruas documento,
Resgatou vozes antigas
Do quase esquecimento;
Deu à praça e à calçada
Novo sopro, novo alento.

Depois veio a viagem
Sentimental, declarada,
João Pessoa refeita
Em palavra bem cuidada;
Pois um povo sem memória
Tem sua alma desterrada.

Sérgio anda devagar,
Como pede o bom flâneur,
Observando cada esquina
Com respeito e com fervor;
Não escreve por vaidade,
Mas por zelo e por amor.

No blog Para onde ir
Também segue a narrar,
Paisagens do nosso Brasil
Que aprende a contemplar;
Se antes lia o poder,
Hoje aprende a caminhar.

Não é cronista apressado,
Nem refém da nostalgia;
Faz da escrita uma ponte
Entre ontem e o dia a dia;
Costurando a identidade
Com afeto e cidadania.

Há quem ocupe altos cargos
E se perca na função;
Sérgio ocupa é a cidade
Com palavra e coração;
Flâneur da memória viva,
Guardião da tradição.

Neste dia em que celebra
Mais um ano de jornada,
A Paraíba agradece
Sua pena dedicada;
Pois quem escreve a memória
Não deixa a história apagada.

Siga, Sérgio, pelas ruas,
Com seu passo pensador;
Que a cidade lhe ofereça
Sempre tema e sempre amor;
Pois quem caminha na memória
Faz do tempo um cantador.

Palmarí H. de Lucena, 20.02.2026