Politizando a prevenção

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Politizando a prevenção

Contradizendo Donald Trump, o chefe do Centro de Controle e Prevenção de Doenças do Governo dos Estados Unidos (CDC), fez uma avaliação sombria sobre o novo coronavírus afirmando que, o país não está “nem perto do fim” da pandemia. Expressando ao mesmo tempo, temor que um novo membro da força tarefa contra o Covid-19, um neurorradiologista sem experiência em doenças infecciosas, esteja compartilhando informações imprecisas com o Presidente. Resultando em pronunciamentos políticos exagerados, afirmando ou dando a impressão que o país está “dobrando a curva da pandemia”, com anúncios bombásticos sobre a disponibilidade ampla de uma vacina antes do final do ano.

Enquanto isso, o CDC aparenta agir com renovada cautela sobre a emissão de autorizações de emergência, para facilitar a difusão de vacinas e ampliar a cobertura imunológica contra o novo coronavírus. Ameaças de interferência política e incertezas sobre procedimentos rápidos para aprovação de vacinas ou em alguns casos, a demonização de algumas em estágio avançado de testagem devido a origem ou nacionalidade do fabricante, tem criado grande desconfiança e confusão na sociedade.

Estudos e pesquisas mostram que uma significante grupo de americanos e brasileiros, expressam uma preocupante hesitação em vacinar-se contra Covid-19, mesmo com vacinas aprovadas por agências sanitárias nacionais e chanceladas por organizações internacionais. Clima de ceticismo e polarização política, alimentado pelo uso deliberado de retórica nacionalista camuflando agendas político-partidárias, tensões da guerra comercial dos EUA contra a China ou reacendendo preconceitos históricos contra países e cidadãos asiáticos.  Estamos correndo o risco de permanecermos trabalhado em casa por um longo tempo ou de sermos recusados vistos de entrada, por países requerendo imunização contra o Covid-19.

Assegurar que vacinas contra Covid-19 passem por um processo sólido de aprovação, para aumentar a confiança da população é um das mais importantes metas. Falhamos em conter a contaminação em comunidades pobres e segmentos específicos da população devido a comorbidades, temos tanta transmissão comunitária, que uma vacina é a única saída da situação dramática em que nos encontramos. Infelizmente, a última boia para salvar-nos da epidemia está sendo avariada para fortalecer uma breve vantagem política nos EUA, com apoio brasileiro, uma ameaça ao bem-estar do povo e impedimento da reabilitação socioeconômica de ambos países.

Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores