Política e Publicidade: Como a Times Square Virou Palco de Narrativas

Política e Publicidade: Como a Times Square Virou Palco de Narrativas

A Times Square, com seus telões luminosos e fluxo incessante de turistas, tornou-se sinônimo de visibilidade global. Mas o que muitos não sabem é que aparecer ali não é um feito reservado a marcas de prestígio ou personalidades de renome. Qualquer pessoa pode comprar seu espaço e projetar sua imagem no coração de Nova York – seja por diversão, promoção pessoal ou, como tem sido cada vez mais comum, para alimentar narrativas políticas.

A empresa TSX permite que qualquer indivíduo exiba um vídeo de 15 segundos em seu telão por valores a partir de US$ 40 (aproximadamente R$ 240). Basta baixar o aplicativo, carregar o conteúdo desejado e agendar a exibição. O vídeo passa por uma breve avaliação para garantir conformidade com as diretrizes da empresa. Não há curadoria de relevância: a tela não diferencia anônimos de celebridades.

Se a intenção for algo mais grandioso, as opções se multiplicam. Campanhas publicitárias tradicionais podem custar a partir de US$ 500 para 20 exibições de um anúncio de 15 segundos. Já anúncios de maior duração e em telões mais disputados podem atingir cifras entre US$ 1,1 milhão e US$ 4 milhões por ano, dependendo do tamanho e da localização do espaço publicitário.

Nos últimos tempos, postagens de políticos brasileiros em telões da Times Square têm sido alardeadas como prova de influência internacional. Mas seria essa realmente uma métrica válida? A realidade é que a simples presença em um painel eletrônico de Nova York não significa reconhecimento genuíno por parte dos americanos ou da mídia internacional.

A comparação com a publicidade convencional se faz inevitável: assim como empresas compram espaço para vender produtos, políticos compram visibilidade para reforçar sua imagem. O público local, por sua vez, segue indiferente – ocupado com os espetáculos da Broadway, lojas de grife e o movimento frenético das ruas ao redor.

A política contemporânea é cada vez mais um jogo de percepções, e aparecer em um dos endereços mais fotografados do mundo pode servir como um poderoso artifício para alimentar bases eleitorais. No entanto, a pergunta central permanece: qual é o real impacto dessa exposição fora do Brasil? O que de fato significa ter a imagem projetada entre anúncios de grandes marcas e promoções de eventos culturais?

O custo de uma projeção pode ser relativamente acessível, mas a credibilidade não se compra. A reputação política no cenário internacional depende de ações concretas, relações diplomáticas sólidas e influência genuína.

A Times Square sempre foi um símbolo do espetáculo moderno, onde a luz dos outdoors ofusca o que é passageiro. Para os que veem nos telões de Nova York um termômetro de influência global, resta a reflexão: popularidade real se constrói com engajamento e reconhecimento, não com uma breve aparição comprada. Assim como o brilho dos neons de Manhattan, as projeções efêmeras podem impressionar momentaneamente – mas sua permanência na memória do público é tão fugaz quanto os segundos que duram no telão.

Palmarí H. de Lucena