O Major Ciraulo e o Carnaval da Memória

O Major Ciraulo e o Carnaval da Memória

Em homenagem a Otílio Ciraulo, o Major da Cidade)

Na terra de Bayeux nasceu,
Um homem de alma inquieta,
Ciraulo o nome se fez,
E a história o coração aperta,
Não erguia prédios, mas sim,
Erguia a cidade, de forma completa.

Fez da folia um retrato,
Do povo que na rua sussurra,
Criou o bloco ETLeF,
A sátira que o riso murmurava e burra,
Na avenida da Liberdade,
Onde a voz da revolta sussurrava a chora.

A ironia que lhe deu fama,
No riso, achava a verdade,
Brincava com os tempos sombrios,
E dava voz à cidade,
Na festa e na rua,
A liberdade de sua identidade.

No carnaval, a piada virou guerra,
A Paraíba perdeu de goleada,
No placar absurdo, sem espera,
A risada, a única jogada,
Mas Pagé, o goleiro sem rosto,
Virou lenda, na alma enraizada.

Guardião da festa e do silêncio,
Ciraulo sabia o que fazer,
Equilibrava a alegria e o excesso,
Com a medida de quem souber,
Na Festa das Neves, controlava a bruma,
Com um olhar que ninguém pode ver.

E assim o Major partiu,
Sem medalhas, mas com legado,
Em cada esquina, sua memória se abriu,
E o nome de rua jamais foi marcado,
Mas ficou nas bocas da gente,
Como lenda que nunca será apagado.

Por Palmarí H. de Lucena

Esse cordel celebra a figura única do Major Ciraulo, destacando sua irreverência, sua ligação com a memória da cidade de Bayeux e a maneira como ele usou o humor e a crítica para dar voz ao povo.