Inventaram um caderno
Pra julgar político esperto,
Dão nota como em escola
Num sistema muito certo.
Mas quem corrige essa prova
Nunca pisa no deserto.
Chamam dever de virtude,
Fazem pose de herói:
Ir votar vira medalha
Que o próprio eleito constrói.
Quem faz só o obrigatório
Recebe palma e troféu.
Projeto vira montanha,
Mas é papel sem feijão:
Lei que nasce sem miolo
É só fumaça no chão.
Copiar, colar e protocolar
Dá ponto na avaliação.
Não se mede consequência,
Nem prejuízo social,
Nem se a lei fere a lógica
Ou sangra o cofre federal.
Vale mais fazer barulho
Que fazer algo real.
Quem grita sobe no ranking,
Quem pensa fica pra trás,
O palhaço ganha estrela,
O discreto nunca mais.
Circo rende curtida,
Trabalho sério não traz.
O ranking finge isenção
Mas tem dono e direção:
Quem reza na cartilha certa
Ganha selo e proteção.
Discordar vira pecado,
Pensar vira infração.
No fim, o povo acredita
Num número bem arrumado,
Enquanto o vazio anda
De diploma carimbado.
Deputado nota dez,
Mas o país reprovado.
Por Palmarí H. de Lucena