Kerma nasceu lá no Recife,
Mas o rumo se refez:
Foi na Bahia que a vida
Mostrou seu claro viés;
Entre dado e gente viva,
Fez da escuta sua vez.
Pesquisa não é cartomante
Nem promessa eleitoral,
Número grita na capa,
Mas cochicha o social;
Kerma sabe: sem contexto,
Percentual mente igual.
Viaja o mundo sem roteiro,
Entre ashram, praia e sertão,
Feira, deserto e conversa,
Mais escuta que opinião;
Quem caminha aprende cedo:
Voto não cabe em planilhão.
Irmã leal, avó presente,
Entre afeto e profissão,
Sabe que dado sem gente
Vira truque de ocasião;
Pesquisa sem humanidade
Encolhe a democracia à mão.
Hoje o bolo é repartido
Com riso, brinde e gratidão:
Trabalha na Ócio Limitada
— nome em provocação;
Pois seu ócio pensa o mundo
Sem limite ou rendição.
Kerma ensina, sem alarde,
Lição simples, mas tardia:
Número ajuda a pensar,
Mas não governa a Bahia;
Vida longa, curiosa,
Que a escuta nunca esfrie.
E a você que lê os números
Sem perder a sensatez,
Que desconfia da pressa
E do palpite da vez,
Aprenda com Kerma a arte
De escutar antes do “talvez”.
Palmarí H. de Lucena