Mensagem de Ano Novo — à luz de Pacem in Terris

Mensagem de Ano Novo — à luz de Pacem in Terris

Ao iniciar um novo ano, vale recordar a intuição simples e exigente que atravessa a encíclica publicada por João XXIII: a paz não nasce do medo nem da força, mas da verdade, da justiça, do amor e da liberdade. Não como slogans, e sim como critérios concretos para a vida pública e privada.

Pacem in Terris nos lembra que toda convivência legítima começa pelo reconhecimento da dignidade de cada pessoa, com direitos e deveres inseparáveis. Onde a verdade é relativizada, a justiça enfraquece; onde a justiça falha, o amor se retrai; e onde a liberdade é manipulada, a paz se torna frágil. A encíclica não propõe ingenuidade: propõe responsabilidade— das consciências individuais às instituições.

Para o ano que se abre, o convite é claro. Que a política recupere o primado do bem comum; que a economia sirva à pessoa, e não o contrário; que as diferenças sejam tratadas pelo diálogo, não pela intimidação; que a lei seja aplicada com equidade, e o poder, exercido com limites. A paz, ensina João XXIII, constrói-se no cotidiano: nas escolhas, nas palavras, nos gestos que respeitam o outro.

Que 2026 seja um tempo de coerência entre discurso e prática, de coragem ética para dizer a verdade e de confiança ativa na capacidade humana de cooperar. A paz não é promessa distante; é tarefa diária. Começa agora — em cada decisão que coloca a dignidade humana no centro. Que o novo ano nos encontre menos ruidosos e mais atentos. Que saibamos trocar a pressa pelo discernimento, o confronto fácil pelo diálogo paciente, a retórica vazia pela coerência dos atos. À luz de Pacem in Terris, que a paz deixe de ser apenas um desejo pronunciado à meia-noite e se torne prática cotidiana — nas escolhas públicas, nas relações privadas, no respeito à dignidade de cada pessoa.

Que 2026 seja um tempo de responsabilidade compartilhada, de justiça sem adjetivos, de liberdade sem cinismo e de esperança sem ingenuidade. A paz começa onde termina a indiferença. E o ano novo só faz sentido se nos dispusermos, desde já, a construí-la.

Com afeto e solidariedade,
Palmarí