Envelhecer é Sabedoria, Velhice é Poesia

Envelhecer é Sabedoria, Velhice é Poesia

No sertão da vida humana 
Tudo tem seu tempo certo, 
Mocidade é caminho, 
Velhice é céu aberto. 
Quem venceu muita jornada 
Tem a palavra guardada 
Num tesouro encoberto.

O tempo chega ligeiro 
Sem pedir licença, não, 
Vai mudando nosso rosto 
E ensinando o coração. 
Branqueando os cabelos, 
Mas fortalecendo os zelos 
Da madura compreensão.

Ser velho não é tristeza 
Nem sinal de solidão, 
É colher sabedoria 
Depois da plantação. 
É ter raiz bem fincada, 
Uma vida abençoada 
Pela força da razão.

Velhice é livro vivido 
Cheio de marca e sinal, 
Cada ruga conta a história 
De valor sentimental. 
É memória do passado 
Que ficou bem guardado 
Num relicário eternal.

Newton Pordeus Seixas 
Foi poeta e professor, 
Fez da palavra uma ponte 
Pra semear mais amor. 
Na Paraíba deixou 
O respeito que ganhou 
Por seu talento e valor.

Nos versos que escrevia 
Tinha ensino e emoção, 
Defendendo a nossa cultura 
Com coragem e devoção. 
Sua pena nordestina 
Era estrela que ilumina 
Os caminhos do sertão.

Respeite o velho da praça, 
O avô, mestre e irmão, 
Quem venceu tantas batalhas 
Merece consideração. 
Pois quem honra a velhice 
Recebe como meiguice 
As bênçãos do coração.

Envelhecer é destino 
De quem vive neste chão, 
Mas viver com dignidade 
É cumprir bela missão. 
Quem cultiva amor na vida 
Tem sua alma protegida 
Pela paz da gratidão.

Velhice não é o fim, 
Nem tristeza derradeira, 
É o tempo abençoando 
Quem venceu a vida inteira. 
Pois o velho traz consigo 
A memória e o abrigo 
Da esperança brasileira.

Autor: Palmarí H. de Lucena