Entre o que Floresce e o que Permanece

Entre o que Floresce e o que Permanece

Volto a Giverny depois de uma primeira visita na primavera. Trago comigo as fotografias daquele outro dia, quando o jardim estava tomado por tulipas e por uma luminosidade quase excessiva. Agora, no outono, reconheço o lugar aos poucos. Os caminhos são os mesmos, mas a paisagem parece ter baixado o tom. É como reencontrar uma pessoa conhecida em outra fase da vida.

Na primavera, eu caminhava olhando para baixo e para os lados, tentando não perder nenhuma flor. Havia tulipas vermelhas, amarelas, cor-de-rosa, lilases, espalhadas pelos canteiros em combinações que pareciam espontâneas, embora eu soubesse que havia ali muito trabalho, escolha e cuidado. Eu parava a todo instante para fotografar. A cada poucos passos, uma nova composição me prendia: uma flor inclinada, outra completamente aberta, uma cor surgindo entre as folhas. O jardim me mantinha em estado de atenção.

Agora, no outono, meus olhos procuram outras coisas. As flores já não ocupam o primeiro plano. As árvores ganharam tons de amarelo, cobre e vermelho escuro. Há folhas no chão, algumas ainda úmidas, outras secas, que fazem um ruído discreto quando passo. O ar parece mais fresco. O cheiro da terra aparece com mais força. Caminho mais devagar, não porque haja menos para ver, mas porque o jardim exige outro tipo de olhar.

É curioso voltar com fotografias na memória. Reconheço um caminho, uma árvore, um enquadramento que já fotografei, e quase sobreponho mentalmente a imagem da primavera àquilo que vejo agora. Na fotografia, as tulipas continuam abertas. Diante de mim, no entanto, elas já não estão ali. A fotografia preservou um instante que o jardim não teve obrigação de conservar.

Essa diferença me interessa.

Na primeira visita, eu queria registrar. Agora, quero perceber.

Fico alguns minutos observando uma folha presa a um galho. Ela tem uma cor difícil de definir, entre o amarelo e o marrom, com pequenas marcas nas bordas. O vento a movimenta, mas ela não cai. Mais adiante, outras já cobrem o caminho. É uma cena pequena, quase banal, e justamente por isso me prende. Na primavera, provavelmente teria passado por ela sem notar.

O outono me deixa mais atenta ao que é discreto.

Também percebo que a luz mudou. Na primavera, tudo parecia mais aberto. Agora, as árvores criam sombras compridas e a luz atravessa a folhagem em manchas. A água reflete os galhos e as cores do entorno. Paro diante dela e tenho a sensação de que a paisagem se duplica: o que está acima e o que aparece refletido abaixo. Por alguns instantes, não sei qual dos dois olhar primeiro.

Penso em Monet, mas não tento imaginar o pintor dentro de uma cena idealizada. Penso simplesmente no trabalho de olhar. Deve ser preciso muito tempo para perceber essas mudanças: a cor que aparece em determinada hora, o reflexo que desaparece quando o vento toca a água, a flor que amanhã estará diferente da de hoje. Talvez pintar tenha sido, para ele, uma maneira de prestar atenção.

E é isso que faço agora.

Presto atenção.

Na temperatura do ar. No som das folhas. Na superfície da água. Na cor das árvores. Na diferença entre o jardim que fotografei e o jardim que tenho diante de mim.

Percebo também que a segunda visita fala mais de mim do que da paisagem. Na primavera, eu estava interessada naquilo que o jardim oferecia aos olhos. Agora, volto com uma memória anterior e comparo o que vejo com o que vivi. O lugar tornou-se uma espécie de medida do tempo.

As fotografias da primeira viagem ganham outro sentido. Elas não são apenas registros de Giverny. São registros de quem eu era naquele momento, do que me chamava atenção, do modo como escolhi enquadrar aquelas flores. Hoje faço outras fotografias porque estou olhando para outras coisas.

Talvez seja isso que mais me interessa em voltar: perceber que a paisagem muda, mas o olhar também.

Quando deixo o jardim, não tento escolher qual das duas visitas foi mais bonita. A primavera tem suas cores, sua abundância, sua alegria quase física. O outono tem suas pausas, suas sombras, suas folhas espalhadas pelo caminho. São experiências diferentes do mesmo lugar.

Guardo as duas.

A primavera fica nas fotografias. O outono fica nos sentidos: no frio leve do ar, no som das folhas sob os pés, na água refletindo os galhos, na luz atravessando as árvores.

E talvez seja assim que uma viagem permanece. Não como uma imagem perfeita, mas como uma coleção de pequenas sensações que voltam inesperadamente. Uma cor, um cheiro de terra, o ruído de uma folha seca, uma determinada luz.

Desta vez, saio de Giverny sem a necessidade de fotografar tudo. Algumas coisas prefiro simplesmente olhar. Afinal, depois de voltar uma segunda vez, percebo que não preciso guardar o jardim inteiro. Basta levar comigo alguns instantes.