A comparação entre José Maranhão e João Azevêdo não se presta à nostalgia nem ao juízo de valor pessoal, mas à compreensão de dois modelos distintos de condução do poder público na Paraíba. Ambos representaram estilos legítimos de governar, ancorados em contextos históricos, demandas sociais e concepções administrativas próprias.
José Maranhão exerceu o governo em chave predominantemente política. Sua atuação foi marcada pela presença constante nos municípios, pela interlocução direta com lideranças regionais e pela centralidade das políticas sociais como instrumento de resposta às desigualdades estruturais do Estado. O enfrentamento da pobreza era tratado como prioridade política explícita, e não apenas como variável administrativa.
Na área da segurança pública, sua abordagem privilegiou a expansão da presença institucional, a prevenção e a articulação entre políticas sociais e ação policial. O combate à criminalidade era concebido como questão ampla, relacionada ao território, à inclusão social e à atuação preventiva do Estado.
João Azevêdo governa sob outro paradigma. Engenheiro de formação, conduz a administração pública com ênfase em planejamento estratégico, institucionalização das políticas públicas e gestão por resultados. A ação governamental é estruturada a partir de metas, indicadores e desenho técnico das políticas.
No campo social, a prioridade recai sobre a construção de estruturas permanentes: educação técnica, infraestrutura, desenvolvimento regional e ordenamento urbano. Na segurança pública, a lógica é operacional e sistêmica, com ênfase em tecnologia, inteligência, integração institucional e monitoramento por dados. Trata-se de um modelo centrado na continuidade institucional e na estabilidade administrativa.
Esses dois estilos não se excluem. Revelam respostas distintas a um mesmo desafio: governar um Estado historicamente marcado por desigualdades, carências estruturais e demandas sociais persistentes. Um modelo enfatiza a mediação política e a presença territorial; o outro, a racionalidade administrativa e a previsibilidade institucional.
O cenário contemporâneo, contudo, sugere que a administração pública exige mais do que a reprodução de modelos anteriores. A realidade atual impõe a necessidade de integração entre sensibilidade social e capacidade técnica. A polarização entre carisma político e eficiência administrativa deixa de oferecer respostas suficientes.
O perfil necessário ao próximo governador da Paraíba aponta para uma síntese: gestão orientada por planejamento e dados, combinada com presença política efetiva e escuta social qualificada. A administração pública passa a exigir simultaneamente execução técnica, diálogo federativo e atenção concreta às camadas mais vulneráveis da sociedade.
Além disso, há um requisito que ganhou centralidade institucional nos últimos anos: integridade administrativa. Governos eficazes dependem de legitimidade pública, e esta é incompatível com ambiguidades éticas, histórico de irregularidades ou tolerância com desvios de conduta. A governabilidade sustentável não se constrói apenas por competência técnica, mas também por credibilidade institucional.
A ética pública deixa de ser valor acessório e assume função estrutural. Sem integridade, políticas perdem autoridade normativa e governos se tornam administrativamente frágeis, ainda que tecnicamente eficientes.
O próximo ciclo de governo, portanto, não será definido por estilos pessoais, mas pela capacidade de integrar três eixos fundamentais:
– competência administrativa,
– responsabilidade política,
– e integridade institucional.
A Paraíba não requer sucessores por afinidade, mas dirigentes por consistência. O critério central não é identidade política, mas capacidade de governar com previsibilidade, responsabilidade fiscal, sensibilidade social e observância rigorosa dos princípios da administração pública.
O julgamento histórico não se fará por discursos ou promessas, mas pela combinação entre desempenho, coerência e legitimidade.
É nesse terreno que se definirá o perfil do próximo governador da Paraíba.
Por Palmarí H. de Lucena