A economia dos Estados Unidos, sob a gestão Trump, enfrenta sinais preocupantes. Dados revisados divulgados pelo Bureau of Labor Statistics (BLS) revelam que, nos últimos três meses, o mercado de trabalho norte-americano apresentou seu pior desempenho desde 2010, excetuando o período inicial da pandemia de Covid-19. Esse relatório foi divulgado logo após o presidente anunciar uma nova série de tarifas comerciais que devem entrar em vigor em breve.
Inicialmente, após a implementação das tarifas em abril, especialistas temiam uma crise econômica grave, com quedas na bolsa de valores, alta na inflação e risco de recessão. Contudo, tais temores não se confirmaram imediatamente. A economia mostrou resistência, com inflação relativamente estável, criação de empregos consistente e recordes no mercado financeiro. Isso levou a uma narrativa otimista por parte do governo, que ressaltou a eficácia das tarifas e a saúde econômica do país.
No entanto, os dados mais recentes indicam uma desaceleração significativa. Em julho, a criação de empregos foi bem inferior às expectativas, e as revisões nos números dos meses anteriores apontam para um crescimento quase inexistente no trimestre. O setor da saúde foi o único a registrar aumento real de vagas, enquanto setores como a indústria manufatureira, diretamente afetados pelas tarifas, continuaram a perder empregos.
Além disso, o índice de inflação medido pelo Fed mostrou elevação, superando a meta de 2% do banco central. Indicadores de crescimento econômico e consumo também apontam para um desempenho inferior ao esperado, sugerindo um cenário de estagflação — crescimento fraco, mercado de trabalho enfraquecido e preços em alta — que já vinha sendo previsto por economistas.
Especialistas destacam que o desempenho econômico atual está aquém das projeções feitas antes do início da gestão Trump. A combinação de tarifas elevadas, inflação crescente e emprego estagnado pode levar a um cenário semelhante ao vivido na década de 1970, com inflação alta e desemprego elevado.
Por sua vez, a administração Trump tem reagido tentando minimizar os números negativos, atribuindo-os a fatores pontuais, como mudanças nos padrões de imigração, e questionando a credibilidade dos dados oficiais. O presidente também criticou o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, por sua política de juros altos, e anunciou a intenção de substituir a chefe do BLS, acusando-a de manipular os dados.
Enquanto isso, permanece a incerteza sobre os próximos meses. É possível que a economia se recupere, contrariando as expectativas atuais, mas os sinais indicam um ambiente econômico mais desafiador do que o previsto há poucos meses.
Por Palmarí H. de Lucena