Aos que exercem o dever de governar,
Escrevo não em nome de um tempo, de uma bandeira ou de um sistema, mas em nome do princípio mais antigo e essencial: a dignidade humana.
Fui autora de um poema que, gravado aos pés de uma estátua, passou a simbolizar a esperança de milhares que chegavam por mar em busca de um recomeço. Não falava em conquista, falava em acolhimento. Não celebrava a força, mas a compaixão. “Dai-me os vossos cansados, os vossos pobres…” — esse era o chamado.
Hoje, as fronteiras continuam a ser cruzadas, não por ambição, mas por necessidade. Por famílias que fogem de conflitos, de secas prolongadas, de perseguições e da ausência de futuro. Em suas mãos não trazem ameaça — trazem filhos, lembranças, sonhos interrompidos. Cada pessoa que migra é, antes de tudo, um ser humano buscando viver com dignidade.
É verdade que os desafios da imigração exigem organização, diálogo e políticas públicas eficazes. Mas é igualmente verdadeiro que nenhuma solução duradoura pode nascer do medo ou da indiferença. A história ensina que os povos que acolhem se renovam — e os que se fecham, estagnam.
O Brasil, por exemplo, formou-se como nação pela confluência de muitos caminhos. Lá encontraram abrigo japoneses após a guerra, italianos e alemães vindos de países arruinados, além de povos africanos e comunidades do Oriente Médio e do Caribe. Também acolheu migrantes internos — nordestinos, ribeirinhos, sertanejos — que cruzaram distâncias movidos pela esperança. E apesar das dificuldades, essa mistura construiu um país plural, criativo e resiliente.
Imigrar não é abandonar: é resistir. É levar consigo o que se tem de mais precioso — a própria vida — e tentar novamente. Governar é, entre outras coisas, reconhecer esse valor. E criar caminhos para que quem chega possa contribuir, crescer e pertencer.
Nenhuma sociedade se enfraquece por oferecer uma mão. Pelo contrário: fortalece-se. Pois não há pátria sólida construída sobre o sofrimento ignorado do outro.
Que o farol da empatia continue aceso. Que o direito de pertencer não dependa da origem, mas da vontade de construir em paz.
Com respeito e esperança,
Emma Lazarus
(em espírito e palavra viva)
Concebida por Palmarí H. de Lucena, inspirada no legado poético e ético de Emma Lazarus.