Na terra verde-amarela
Querem trocar tradição,
Trocando samba por hino
Na língua da dominação.
Embargo vira ameaça,
Supremo sofre pressão.
Deputado bate continência
Com gravata estrangeira,
Segue ordem de fora
E ainda acha besteira.
Patriota de fachada,
Mas vendido na carreira.
Juram amar sua pátria,
Mas só copiam o tio Sam,
Misturam blues com bandeira,
Na praia de Copacabana.
É chiclete americano
No dente da propaganda.
Supremo vira alvo fácil,
De quem grita em inglês,
Esquecendo a Constituição
Que protege nossa vez.
Querem vender nossa toga
No leilão da insensatez.
É a direita ajoelhada
Esperando ordem de lá,
Com chapéu e coca-cola,
Jurando que vai mandar.
Mas quem decide é o povo,
Na urna que vai falar.
Se o gringo impõe sanção,
Logo correm de joelho,
Os puxa-sacos do clã
Que só vivem de espelho.
Brasil não é quintalzinho,
Pra bajular estrangeiro.
Chiclete na bota alheia,
Coca-cola no paletó,
Querem trocar samba e frevo
Por um blues bem sem dó.
Mas o povo que é sabido
Não cai nesse “sim, senhor”!
Deixa o gringo com seu dólar,
E os puxa-sacos no cio,
Que o Brasil dança forró
Na praça, no palco e no rio.
Quem vende a pátria ao estranho
Vai cair no próprio vazio.
Por Palmarí H. de Lucena