Com as palavras e o espírito de Edson Arantes do Nascimento, o eterno Pelé
Filhos do mesmo manto sagrado que um dia me cobriu,
Falo-vos da eternidade onde não há impedimentos, onde a bola ainda rola redonda e os gritos de gol se confundem com cantos de esperança.
Fui menino de Três Corações, Rei no gramado, servo do povo. Minha pele era negra e insultada, mas minha alegria era clara e sem fronteiras. Disse uma vez: “Não nasci para ser segundo lugar.” E hoje me pergunto: quantos de vocês nasceram para ser primeiro — e quantos se contentaram com o espelho?
Nos meus tempos, o Santos não era apenas um time. Era uma nave interestelar de calções brancos. Ganhávamos do Milan, do Benfica, do Boca. Não para humilhar, mas para ensinar que o futebol é arte quando nasce do suor, e não da maquiagem.
Hoje, o Santos agoniza. Foi rebaixado. E não foi por falta de talento, mas por excesso de distrações. Por isso vos alerto: há perigos modernos rondando o vestiário — e eles não usam chuteiras.
Vejo com espanto o avanço das bets. Casas de apostas que compram camisas, estádios, consciências. Dinheiro fácil, tentação rápida. Um cartão amarelo aqui, um escanteio desnecessário ali — e o menino vira mercadoria.
Digo com dor: há jovens que trocam o brilho da bola pela piscada de um aplicativo. Quando o jogo vira número, o atleta vira peão. Quando o placar interessa mais que o desempenho, a vitória perde o gosto.
Há uma diferença imensa entre jogar por paixão e jogar por planilha. As apostas tentam transformar o imponderável em estatística, e nisso corrompem a beleza do erro, do improviso, da alma.
Jovens, lembrem-se: o talento que vocês carregam nas chuteiras não deve servir a algoritmos, mas à esperança de quem os vê como exemplo. Cada jogada vendida é um capítulo rasgado da história do futebol.
E como dizia um velho técnico da várzea: “Quem joga por dinheiro, perde por qualquer trocado.”
Lembrem-se: “A bola é como uma mulher: gosta de carinho.” Não a vendam, não a entreguem a quem não sabe dançar com ela.
Voltem à pele do povo. Aquela que se queima no sol das arquibancadas, que chora nas derrotas e aplaude nas vitórias. Voltem aos pelos arrepiados de um gol no último minuto, e não aos fios cuidadosamente depilados para sessões fotográficas.
E por favor: quando entrarem em campo, lembrem-se de que um dia houve um Santos que encantou o mundo. E que o Brasil, mesmo cambaleante, ainda espera que sua Seleção jogue com fé, dignidade e coragem.
Voltem a ser Brasil. Voltem a ser Santos. Voltem a ser Pelé.
Com esperança e saudade,
Pelé, eterno camisa 10.
Concebida por Palmarí H. de Lucena