Carta Apócrifa de Malba Tahan aos Estudantes em contextos de baixa autoestima acadêmica

Carta Apócrifa de Malba Tahan aos Estudantes em contextos de baixa autoestima acadêmica

Caros estudantes,

Permitam que vos escreva das miragens do deserto, onde números dançam como dervixes e a sabedoria se revela em forma de parábolas. Sou Malba Tahan, o viajante que transformou a matemática em encantamento, e o ensino em arte generosa. Como o personagem Beremiz Samir — o Homem que Calculava — também vos convido a enxergar, na exatidão dos cálculos, a poesia da vida.

A matemática, dizia Beremiz, é como uma escada que leva o homem à contemplação do universo. Não é apenas um instrumento de contagem ou medida — é um modo de compreender a justiça, a proporção e até a paz. Recordo quando ele, com finura e raciocínio sereno, impediu uma disputa entre irmãos que brigavam pela partilha de camelos. Ali não havia apenas números: havia justiça, havia escuta, havia sabedoria.

Estudantes, que o exemplo de Beremiz vos inspire. Ele demonstrava que a inteligência não deve humilhar, mas iluminar; que o saber não deve ser arrogante, mas generoso. E mais: que resolver problemas com lógica e empatia é uma das formas mais nobres de construir pontes entre os homens.

A verdadeira educação, portanto, é aquela que forma não só o raciocínio, mas o caráter. Em O Homem que Calculava, aprendemos que o talento do cálculo deve ser aliado à ética, e que a solução elegante de um problema vale tanto quanto um verso bem escrito ou um gesto de bondade.

Por isso, caros estudantes, estudem a matemática não apenas como quem busca a resposta certa, mas como quem procura compreender a beleza das coisas bem pensadas. Estudem a história como quem deseja entender o presente. Estudem a literatura como quem busca a alma dos povos. E estudem a ciência como quem deseja proteger a vida.

Nunca aceitem que vos digam que a escola é perda de tempo. Beremiz aprendeu sozinho, com lápis invisíveis e tábuas de areia — e ainda assim conquistou reis e califas com a grandeza de sua mente. Vocês, com os recursos de hoje, têm ainda mais dever de se tornarem construtores do conhecimento.

Se a escola parecer cansativa, lembrem-se: uma mente em repouso demais corre o risco de esquecer como se sonha. E se o mundo parecer duro, lembrem-se de que um bom argumento, uma boa conta ou uma boa ideia ainda podem desarmar um conflito.

Com afeto de quem acredita que aprender é a forma mais bela de resistir à escuridão,
Malba Tahan
(nascido Júlio César de Mello e Souza — educador que acreditava que todo estudante é um viajante em busca de sabedoria

Concebida por Palmarí H. de Lucena, em homenagem a todos que, como Beremiz Samir, encontram no raciocínio claro, na gentileza e na coragem intelectual os maiores tesouros da educação.