Querida Ana Paula,
Escrevo-lhe como quem conversa diante de um espelho distante, refletindo nuances e detalhes familiares na escrita. Quando li sobre seu livro “A marca de um cheiro – Tatuagem no Espírito”, senti-me como se tivesse encontrado uma antiga amiga perdida em outro continente, compartilhando comigo a mesma linguagem secreta e sensorial que sempre me fascinou.
Assim como você, também busco nas pequenas coisas, nos aromas e sabores cotidianos, as pistas invisíveis que nos conduzem ao âmago da alma humana. Seus odores – lavanda, terra molhada, o perfume nostálgico de um pai distante – são os meus aromas de flores silvestres, chá quente, alecrim e lembranças que entrelaçam o mundo visível ao invisível.
Nos seus textos, encontrei aquela magia discreta e cotidiana que tanto valorizo. É o mistério suave, quase imperceptível, que apenas olhos atentos e corações abertos conseguem perceber. Nós, mulheres que escrevemos da profundidade do silêncio interior, entendemos como poucos que a verdadeira magia está na memória, no afeto e nas pequenas eternidades guardadas em frascos de perfume e caixinhas de lembranças.
Fiquei especialmente encantada com sua habilidade de transformar sensações tão fugazes em narrativas permanentes e tocantes, que ecoam além das páginas. Você captura sentimentos complexos com clareza admirável, tocando profundamente o coração dos leitores, algo que reconheço e admiro imensamente.
Obrigada por escrever com tal delicadeza e verdade. Continuarei daqui a acompanhar suas histórias que, embora tenham surgido sob o sol vibrante da Paraíba, encontram eco em qualquer alma que busque beleza e sentido através dos sentidos.
Que nossos caminhos literários se cruzem novamente nas linhas escritas pelo coração, entre fragrâncias e memórias, em versos e prosas que resistam ao tempo.
Com afeto literário, profunda admiração e esperança em futuros encontros,
Alice Hoffman
Concebida por Palmarí H. de Lucena