Canto ao Meu Sublime Torrão

Photo by Palmarí H. de Lucena
Canto ao Meu Sublime Torrão

Meu torrão não fecha a porta,
Nem pergunta quem é quem;
É chão de mãos estendidas,
De quem vai e de quem vem.
Quem chega soma caminho,
Todo passo faz-se bem.

É terra de muitas faces,
Feita de lembrança e ação;
O ontem vira semente,
O hoje vira canção.
Ninguém cresce sozinho
No suor desse chão.

Aqui o povo é medida
Da riqueza essencial:
Tem cidade e tem roçado,
Tem serra, rio e litoral.
Cada canto guarda um nome
No mapa do ideal.

A terra pede respeito,
A água pede atenção;
O tempo pede cuidado
Na pressa da decisão.
Progresso é passo seguro,
Não corrida sem razão.

Quem veio antes permanece
Na palavra e no sinal;
A história não se apaga
No ruído do atual.
Sem justiça o rumo falha,
Sem escuta não há igual.

Que este chão seja ponte,
Nunca muro levantado;
Seja canto, seja abrigo
Pra quem anda machucado.
Só é sublime um torrão
Quando é justo e partilhado.

Se hoje a luta é comprida
E a estrada pede demora,
A esperança se sustenta
No gesto que nasce agora.
Dignidade é semente
Que floresce e não vai embora.

Por Palmarí H. de Lucena