Na planície fria da Europa
Ecoa um velho refrão:
Ceder hoje por sossego,
Chamar medo de razão,
Mas a história, quando cala,
Volta em forma de agressão.
Ucrânia ergue sua casa
Com sangue, trigo e canção,
Não pede glória nem mito,
Só respeito e proteção;
Quem lhe exige um pedaço
Chama espólio de solução.
Munique ensinou ao mundo
Que a paz feita sob pressão
Não sela o fim dos conflitos,
Só adia a explosão;
O agressor ganha fôlego,
O justo perde o chão.
Território não é moeda
Em balcão diplomático,
Nem fronteira é rabisco
Num acordo burocrático;
Quando a força vira lei,
Todo pacto é problemático.
A Europa olha no espelho
E vê sua indecisão:
Defende a ordem no discurso,
Vacila na execução;
Quem sacrifica o vizinho
Enfraquece a própria mão.
Não é só Kiev que sangra
Quando a justiça se dobra:
É o direito que se rompe,
É a memória que sobra;
A concessão mal explicada
Vira regra que cobra.
Que a lição não seja em vão,
Nem o silêncio cumplicidade:
Paz sem honra é intervalo
Antes da calamidade;
Defender a Ucrânia hoje
É defender a dignidade.
Por Palmarí H. de Lucena – 01/012026