Vou fazer este cordel
Pra cultura preservar,
Das histórias dos avós
Que devemos conservar.
São tesouros do Brasil
Que não podem apagar.
Nossos avós, antigamente,
Tinham muito o que contar,
Sentadinhos lá na sala,
Começavam a lembrar.
E os meninos, curiosos,
Logo iam escutar.
Contavam causos do sertão,
Com mistério e emoção,
De princesa e de vaqueiro,
De coragem e assombração.
Cada história que surgia
Trazia uma lição.
Tinha o Saci ligeiro,
Que gostava de brincar,
Tinha o velho Curupira,
Pelos matos a cuidar.
Essas lendas brasileiras
Nós devemos preservar.
Tinha festa no terreiro,
Tinha dança e tradição,
Tinha roda de cantiga,
Tinha verso e recitação.
Tudo isso faz parte
Da nossa rica nação.
O cordel é nossa voz,
Tem memória pra guardar,
Conta a vida de um povo
Que não cansa de lutar.
Cada verso traz consigo
Um saber pra ensinar.
Quando a criança escuta
Uma história do avô,
Guarda dentro da memória
Cada palavra de amor.
E depois conta pra outros
O que um dia escutou.
Se uma avó conta um causo,
Que aprendeu com sua mãe,
A criança guarda o conto
E depois também o tem.
Vai passando de geração
Como herança que se vem.
Por isso, vamos ouvir
Quem tem história pra contar,
Pois a voz dos nossos velhos
Tem saber pra ensinar.
Quem conhece o seu passado
Sabe aonde quer chegar.
Vamos todos escrever
Nossos versos com carinho,
Pois a cultura brasileira
Não caminha sem caminho.
Quando a gente conta a história,
Nunca estamos sozinhos.
O cordel segue ligeiro,
Pelas mãos da criançada,
Levando a nossa cultura
Pela escola e pela estrada.
E as histórias dos avós
Nunca ficam esquecidas.
Se o passado é uma semente,
Vamos hoje cultivar.
Cada conto, cada verso
Tem poder de nos ensinar.
E o Brasil fica mais rico
Quando sabe recordar.
Então, criança, escreva
O que ouviu seu avô contar,
Ponha rima nessa história
E comece a recitar.
Pois quem guarda sua cultura
Faz a história continuar.
Palmarí H. de Lucena